terça-feira, 1 de novembro de 2011

Produção de texto

A internet tem ouvidos e memória

Redes sociais são ótimas para disseminar ideias, tornar alguém popular e também arruinar reputações. Um dos maiores desafios dos usuários de internet é saber ponderar o que se publica nela. Especialistas recomendam que não se deve publicar o que não se fala em público, pois a internet é um ambiente social e, ao contrário do que se pensa, a rede não acoberta anonimato, uma vez que mesmo quem se esconde atrás de um pseudônimo pode ser rastreado e identificado. Aqueles que, por impulso, se exaltam e cometem gafes podem pagar caro. Um exemplo escandaloso foi o da universitária paulista Mayara Petruso. Após o resultado das eleições brasileiras em 2010, ela publicou em seu Twitter mensagens extremamente ofensivas aos nordestinos de São Paulo. O resultado foi um processo na Justiça, perda de emprego e uma péssima reputação. Apagar as mensagens e os perfis na rede não basta para deletar um deslize na web. No caso de Mayara Petruso ainda havia um agravante: a jovem estudava direito.
www.terra.com.br- março 2011
Proposta de redação

Você, como jovem, o que pensa a respeito do uso das redes sociais on-line?
Reflita sobre as seguintes questões relacionadas ao tema e escolha uma delas para enfocar de modo especial seu texto dissertativo-argumentativo.
·         A tecnologia está aproximando mais os jovens?
·         A falta de contato físico e de troca emocional pode afetar as amizades?
·         Há relação entre os fakes e bullying?
·         Quais são os perigos da exposição excessiva da vida pessoal na internet?
·         A facilidade das comunicações proporcionada pelas redes sociais pode estar fazendo os jovens terem menos interesse nas relações cara a cara? Qual o perigo de postar sua vida em sites on-line?
Ao produzir seu texto, siga as instruções:
·         Defina o ponto de vista que irá desenvolver;
·         Planeje seu texto. Qual a ideia principal? Que argumentos serão utilizados para fundamentar essa ideia?
Como serão distribuídos os parágrafos?Que tipos de argumentos utilizará: exemplos, comparações, dados históricos, estatísticos, pesquisa, depoimentos.Como será a conclusão: síntese, sugestão ou proposta?
·         Fique atento à linguagem. Ela deve estar de acordo com a norma padrão e com o perfil dos leitores;
·         Concluído seu texto, dê a ele um título atraente, que faça o leitor sentir-se convidado a realizar sua leitura e, antes de passá-lo a limpo, faça uma revisão cuidadosa.

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

O urso chorão



O Urso Chorão



Eram três ursinhos lindos  e saudáveis. Dava gosto ver os três rolando a campina verde na imensa floresta. Todos os animais procuravam sua alimentação durante a manhã logo bem cedinho. O riacho que corria no meio da campina era muito grande de uma água muito límpida, via-se o fundo nitidamente. Eu não gostava muito quando as onças vinham beber água, pois pareciam dóceis mas um certo arrepio passava por mim quando as via. Gostava mesmo era da família dos macacos que sempre estavam na maior das alegrias. Qualquer graveto ou folhinha já era motivo para brincadeira.

Os pássaros  então voavam nas árvores altas, mas desciam também para o solo a fim de ciscarem e às vezes tomar banho. Os jacarés  já viviam dentro da lagoa atrás do penhasco. Era um lugar sombrio que eu não gostava muito.Todo cuidado, por ali, era pouco, apesar de reinar uma certa harmonia entre todos os animais. Mas o que estava incomodando ultimamente era o Urso chorão. Os três irmãos brincavam ali perto de minha árvore favorita e sempre podia observá-los. O que será que acontece para que ele chore o tempo todo? Resolvi que iria observá-lo bem atentamente, e assim fiquei de prontidão em cima da árvore.

Lá chegaram os três. Eram tão iguais que só percebi o chorão porque começou a chorar. Foi então que ouvi a mamãe Ursa dizer aos outros:
- Deixem que ele chore, logo ele vai parar. - Mas o Ursinho chorava e gritava. Então um de seus irmãos chegou até ele e disse:
- Meu irmãozinho, você quer  brincar comigo? - Não houve resposta. Então o Urso chegou até ele e estendeu-lhe  umas folhinhas dizendo-lhe:
- Quer ficar com elas ?
Não houve resposta. Assim meio como quem não quer nada, o outro irmão tentou se comunicar com o chorão.
- Ei, vamos brincar de correr para achar formigueiros? - Não houve resposta.
Sendo assim, os dois voltaram para seus folguedos e deixaram o chorão como a mãe havia dito. Foi então que ela chegou até o filho, sentou-se ao seu lado e o abraçou com carinho.
- Meu querido filhinho, mamãe vai contar uma história bem bonita para você!
Devagar ele foi parando de chorar e ficou só soluçando. Vendo esta cena fiquei intrigado. Voei para bem alto onde estavam meus pais e perguntei:
- Por que, por que ele age assim? Chora e não ouve os irmãos. Ele é muito diferente.
Foi quando minha mamãe me disse:
- Filho, nem todos são iguais, há muitas diferenças.
- Você já imaginou  se todos fossem iguais? Seria um desastre...
- Cada um tem seu dom, sua inteligência seu modo de ser. Ele é um ser especial e muito feliz.
- Muito feliz! - exclamei
- É muito feliz porque ele tem o amor da família. Talvez ele ainda não perceba que é amado.
- Volte para baixo,  creio que agora ele não está mais chorando ou soluçando.

Voei para baixo e fiquei olhando novamente. Agora estavam todos em volta dele falando e rindo.Que coisa estranha, ele parou mesmo de chorar, mas parece que está em outro mundo.
Do meu lado mamãe disse: - E está mesmo meu filho. O carinho e o amor da família dele logo o trarão para cá, afim de que ele possa ter vida própria. Quanta sabedoria vinha de minha mamãe, transformando coisas tão difíceis de eu entender em simples fato.
- Gostaria que você fosse a mamãe dele também.
- Não meu filho, cada um tem a sua família, e ele pertence a família dos ursos e não dos macacos.

São lições de vida que aprendi ao longo do tempo e até hoje ainda aprendo no dia-a-dia. A floresta continua calma, aparentemente, com todos os seus perigos ocultos e eu aqui da minha árvore espreito tudo para saber cada vez mais.
- Humanos...
- Olha mamãe, que coruja linda lá em cima!
- Ela é o símbolo da Sabedoria?
- É o que dizem.
Fiquei contente. - Então é assim, todos são filhos de Deus.
- Exato meu filho!

sábado, 13 de agosto de 2011

Eu sei, mas não devia
Marina Colasanti

Eu sei que a gente se acostuma. Mas não devia.

A gente se acostuma a morar em apartamentos de fundos e a não ter outra vista que não as janelas ao redor. E, porque não tem vista, logo se acostuma a não olhar para fora. E, porque não olha para fora, logo se acostuma a não abrir de todo as cortinas. E, porque não abre as cortinas, logo se acostuma a acender mais cedo a luz. E, à medida que se acostuma, esquece o sol, esquece o ar, esquece a amplidão.

A gente se acostuma a acordar de manhã sobressaltado porque está na hora. A tomar o café correndo porque está atrasado. A ler o jornal no ônibus porque não pode perder o tempo da viagem. A comer sanduíche porque não dá para almoçar. A sair do trabalho porque já é noite. A cochilar no ônibus porque está cansado. A deitar cedo e dormir pesado sem ter vivido o dia.

A gente se acostuma a abrir o jornal e a ler sobre a guerra. E, aceitando a guerra, aceita os mortos e que haja números para os mortos. E, aceitando os números, aceita não acreditar nas negociações de paz. E, não acreditando nas negociações de paz, aceita ler todo dia da guerra, dos números, da longa duração.

A gente se acostuma a esperar o dia inteiro e ouvir no telefone: hoje não posso ir. A sorrir para as pessoas sem receber um sorriso de volta. A ser ignorado quando precisava tanto ser visto.

A gente se acostuma a pagar por tudo o que deseja e o de que necessita. E a lutar para ganhar o dinheiro com que pagar. E a ganhar menos do que precisa. E a fazer fila para pagar. E a pagar mais do que as coisas valem. E a saber que cada vez pagar mais. E a procurar mais trabalho, para ganhar mais dinheiro, para ter com que pagar nas filas em que se cobra.

A gente se acostuma a andar na rua e ver cartazes. A abrir as revistas e ver anúncios. A ligar a televisão e assistir a comerciais. A ir ao cinema e engolir publicidade. A ser instigado, conduzido, desnorteado, lançado na infindável catarata dos produtos.

A gente se acostuma à poluição. Às salas fechadas de ar condicionado e cheiro de cigarro. À luz artificial de ligeiro tremor. Ao choque que os olhos levam na luz natural. Às bactérias da água potável. À contaminação da água do mar. À lenta morte dos rios. Se acostuma a não ouvir passarinho, a não ter galo de madrugada, a temer a hidrofobia dos cães, a não colher fruta no pé, a não ter sequer uma planta.

A gente se acostuma a coisas demais, para não sofrer. Em doses pequenas, tentando não perceber, vai afastando uma dor aqui, um ressentimento ali, uma revolta acolá. Se o cinema está cheio, a gente senta na primeira fila e torce um pouco o pescoço. Se a praia está contaminada, a gente molha só os pés e sua no resto do corpo. Se o trabalho está duro, a gente se consola pensando no fim de semana. E se no fim de semana não há muito o que fazer a gente vai dormir cedo e ainda fica satisfeito porque tem sempre sono atrasado.

A gente se acostuma para não se ralar na aspereza, para preservar a pele. Se acostuma para evitar feridas, sangramentos, para esquivar-se de faca e baioneta, para poupar o peito. A gente se acostuma para poupar a vida. Que aos poucos se gasta, e que, gasta de tanto acostumar, se perde de si mesma.
Crônica do Amor

Ninguém ama outra pessoa pelas qualidades que ela tem, caso contrário os honestos, simpáticos e não fumantes teriam uma fila de pretendentes batendo a porta.

O amor não é chegado a fazer contas, não obedece à razão. O verdadeiro amor acontece por empatia, por magnetismo, por conjunção estelar.

Ninguém ama outra pessoa porque ela é educada, veste-se bem e é fã do Caetano. Isso são só referenciais.

Ama-se pelo cheiro, pelo mistério, pela paz que o outro lhe dá, ou pelo tormento que provoca.

Ama-se pelo tom de voz, pela maneira que os olhos piscam, pela fragilidade que se revela quando menos se espera.

Você ama aquela petulante. Você escreveu dúzias de cartas que ela não respondeu, você deu flores que ela deixou a seco.

Você gosta de rock e ela de chorinho, você gosta de praia e ela tem alergia a sol, você abomina Natal e ela detesta o Ano Novo, nem no
ódio vocês combinam. Então?

Então, que ela tem um jeito de sorrir que o deixa imobilizado, o beijo dela é mais viciante do que LSD, você adora brigar com ela e ela adora implicar com você. Isso tem nome.

Você ama aquele cafajeste. Ele diz que vai e não liga, ele veste o primeiro trapo que encontra no armário. Ele não emplaca uma semana nos empregos, está sempre duro, e é meio galinha. Ele não tem a
menor vocação para príncipe encantado e ainda assim você não consegue despachá-lo.

Quando a mão dele toca na sua nuca, você derrete feito manteiga. Ele toca gaita na boca, adora animais e escreve poemas. Por que você ama
este cara?

Não pergunte pra mim; você é inteligente. Lê livros, revistas, jornais. Gosta dos filmes dos irmãos Coen e do Robert Altman, mas sabe que uma boa comédia romântica também tem seu valor.

É bonita. Seu cabelo nasceu para ser sacudido num comercial de xampu e seu corpo tem todas as curvas no lugar. Independente, emprego fixo, bom saldo no banco. Gosta de viajar, de música, tem loucura
por computador e seu fettucine ao pesto é imbatível.

Você tem bom humor, não pega no pé de ninguém e adora sexo. Com um currículo desse, criatura, por que está sem um amor?

Ah, o amor, essa raposa. Quem dera o amor não fosse um sentimento, mas uma equação matemática: eu linda + você inteligente = dois apaixonados.

Não funciona assim.

Amar não requer conhecimento prévio nem consulta ao SPC. Ama-se justamente pelo que o Amor tem de indefinível.

Honestos existem aos milhares, generosos têm às pencas, bons motoristas e bons pais de família, tá assim, ó!

Mas ninguém consegue ser do jeito que o amor da sua vida é! Pense nisso. Pedir é a maneira mais eficaz de merecer. É a contingência maior de quem precisa.
Arnaldo Jabor

terça-feira, 26 de julho de 2011

Volta às aulas

Muitos autores têm afirmado que as escolas deveriam entender mais de seres humanos e de amor do que de conteúdos e técnicas educativas. Cada vez mais percebemos a importância da educação ser pensada como meio de promover a própria vida.
Infelizmente, o currículo atual da maioria das escolas ainda prioriza o desenvolvimento cognitivo, o conteudismo, excluindo a emoção humana e o afeto do processo ensino-aprendizagem.
Para que tenhamos uma educação mais humanista se faz necessário que o educador abandone as velhas concepções de ensino e busque uma nova visão que possa construir uma sociedade mais justa, democrática e solidária.
É necessário que o professor invista na formação de vínculos afetivos, acreditando na pessoa e compreendendo seus limites individuais. O educador precisa recuperar a afetividade na escola, não somente o afeto que consola, mas também o afeto que impulsiona, pois aponta caminhos e reconstrói a esperança num mundo melhor.
Nos primeiros dias de aula é fundamental sondar as expectativas do grupo e integrá-lo. Portanto, inicie de forma acolhedora e afetiva, assim ficará mais fácil planejar aulas onde os sentimentos estejam presentes e não só a razão.

“Escola é, sobretudo, gente,
gente que trabalha, que estuda,
que se alegra, se conhece, se estima.
A escola será cada vez melhor
na medida em que cada um
se comporte como colega, amigo, irmão.
Importante na escola não é só estudar, não é só trabalhar,
é também criar laços de amizade,
é criar ambiente de camaradagem,
é conviver, é se 'amarrar nela'!”

(Paulo Freire)

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Produção de texto narrativo

O ato de escrever é prazer, diversão. É a sensação de poder, de domínio. Criar gente, fabricar fantasias, inventar cidades, dar vida e dar morte, criar um terremoto ou furacão, fazer o que eu quiser. Escrever é um jogo, brincadeira. Conseguir segurar, prender uma pessoa, mantê-la atrelada a si (é o leitor diante do livro: sua sensação divina).
                                                                                                       (Ignácio de Loyola Brandão).
Leia atentamente as propostas a seguir e esco­lha uma delas para desenvolver um texto narrati­vo, segundo as instruções específicas. Não se esqueça de indicar, junto ao título, a proposta desenvolvida (modelo: Proposta 1: “título”)


Primeira proposta
"Por que ela não me vê? Por trás destes óculos há um sujeito honesto. Estas espinhas dizem ape­nas que eu sou jovem..."
Instruções
  • Desenvolva o conflito insinuado nas frases an­teriores, caracterizando com precisão "esse jovem".
  • Narrador em primeira pessoa.
  • Espaço: o conflito "explode" numa sala de aula.
  • Tempo: duração da aula.

Segunda proposta
"Disseram que ela dormia quando o temporal chegou. Um vagalhão* pegou-a de surpresa, não teve tempo nem pra gritar socorro. Ainda não acharam o corpo. Juvenal, o marido, voltava para casa...”
* onda muito grande.
Instruções
  • Prossiga a história desenvolvendo o conflito que "explode" quando Juvenal se dá conta do que aconteceu.
  • Narrador em terceira pessoa.
  • Espaço: praia.
  • Tempo: uma noite.
Terceira proposta
"Contraiu os músculos, agarrou-se ao traves­seiro, enfiou nele a cabeça, mordeu os lábios su­focando o grito mais profundo. Isso não pode es­tar acontecendo comigo!"

Instruções
  • Dê prosseguimento a essa história, resolvendo o conflito insinuado em "Isso não pode estar acontecendo comigo!"
  • Narrador em primeira pessoa.
  • Espaço: cama.
  • Tempo: uma madrugada.
  • Mínimo- 20 linhas.
Bom trabalho!

Conto

O que é Conto?
Conto é uma narrativa curta e que se diferencia dos romances não apenas pelo tamanho, mas também pela sua estrutura: há poucas personagens, nunca analisadas profundamente; há acontecimentos breves, sem grandes complicações de enredo; e há apenas um clímax, no qual a tensão da história atinge seu auge.
No conto, tempo e espaço são elementos secundários, podendo até não existir. Além disso, os próprios acontecimentos podem ser dispensáveis. Há, por exemplo, contos de Machado de Assis ou Tchekov nos quais, simplesmente, não tem nada que acontece. O essencial está no ar, na atmosfera, na forma de narrar, no estilo.

Dicas para escrever um conto

O enredo do conto deve apresentar em linhas gerais, as seguintes fases:
  1. Apresentação
  2. Complicação ou evolução
  3. Clímax
  4. Solução ou desfecho
Evite o uso de repetições fazendo uso de sinônimos. O conto não deve cansar o leitor e superestimar (nem subestimar) sua inteligência. Podemos enganar usando um raciocínio lógico falso que o induza a pensar de uma forma, mas nunca dizer o óbvio.
O título não deve sugerir o conteúdo do conto. Os títulos curtos são sempre melhores e instigantes.
Elimine explicações e descrições que não tenham importância para a história, cortar parágrafos é dar movimento mais dinâmico ao conto.