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segunda-feira, 4 de abril de 2011

Pai não entende nada

Texto para questões de 1 a 3:
Pai não entende nada
- Um biquini novo?
- É,pai.
- Você comprou um no ano passado!
- Não serve mais, pai. Eu cresci.
- Como não serve? No ano passado você tinha 14 anos, este ano tem 15. Não cresceu tanto assim.
- Não serve, pai.
- Está bem, está bem. Toma o dinheiro. Compra um biquini maior.
- Maior não, pai. Menor.
Aquele pai, também, não entendia nada.
VERÍSSIMO, Luis Fernando. Comédias da vida privada: 101 crônicas escolhidas. Porto Alegre: L&PM, 1995. p. 255.
1. Explique resumidamente quais informações extratextuais um leitor precisa dominar para poder entender esse breve diálogo.
2. Existe uma intenção do autor em reproduzir o diálogo com a espontaneidade da fala. Que características da fala são transmitidas à escrita nessa crônica?
3. O título da crónica já previne o ieitor para certa dificuldade de entendimento entre pais e filhos. Todavia, o leitor vai construindo o sentido do texto baseado num argumento da filha, que o pai não consegue rebater.
a)  Que palavra vem quebrar totalmente a expectativa do leitor?
b)  O que essa quebra de expectativa provoca no texto? Explique.
c)  Seria correto afirmar que o autor usou intencionalmente os mecanismos de seleção e combinação ao escolher essa palavra?
GABARITO DOS EXERCÍCIOS DE INTERPRETAÇÃO
1. O leitor precisa saber que: filhos crescem e suas roupas ficam pequenas, portanto precisam ser substituídas por outras maiores; os filhos costumam pedir dinheiro aos pais para comprar roupas novas; nem sempre os pais estão dispostos a dar esse dinheiro, principalmente quando acham tais compras desnecessárias; garotas usam biquinis; o tamanho dos biquinis costuma diminuir à medida que as garotas crescem ou se tornam adolescentes.
2. Alternância perfeita dos turnos; frases curtas; emprego repetitivo do vocativo por parte da filha ao se dirigir ao pai; emprego da pontuação para reproduzir os questionamentos do pai; repetição de palavras que garantem o convencimento numa argumentação.
3. a) A palavra "menor".
b)  Provoca humor. O leitor julga que, ao dizer "não serve mais", a filha esteja afirmando que cresceu e que o biquini ficou pequeno. No entanto, ela quer comprar um menor ainda, por julgar o biquini do ano anterior grande demais, fora de moda ou inadequado.
c)  Sim. O autor escolheu as duas palavras antônimas para fazer um jogo ("Maior não, pai. Menor.") e tornar o texto engraçado.

Interpretação e Análise de Texto

exercicio_interpretacao
O INDIZÍVEL
A LUTA PELA EXPRESSÃO
Antônio Soares Amora
Quando dizemos que conteúdo e forma são concomitantes e indissolúveis em nosso espírito, não estamos a pensar em certos mistérios da vida afetiva. Um exame de consciência, uma auto-observação cuidadosa, revela-nos, na vida sentimental, por exemplo, fatos desta natureza: experimentamos emoções, sentimos profundamente certos estados anímicos - e não encontramos meios para os definir. Não é porventura freqüente o caso de simpatias e antipatias involuntárias? Quantas vezes não simpatizamos com uma pessoa, sem nenhuma razão, sem nenhum motivo, sem que nada tenha feito essa pessoa para receber nossa simpatia. Em casos como este temos consciência de nosso estado de simpatia - mas não sabemos explicá-lo, nem defini-lo. É um estado bem vivo em nós - e no entanto indefinível, ou indizível.
Muito mais que o homem comum, o artista, vivendo mais intensamente a vida afetiva, sente esse indizível dentro de si. E sua maior angústia espiritual é encontrar a expressão para essa realidade visceralmente sentida, mas incompreendida. O drama do artista é sempre a "luta pela expressão". E quando o artista consegue vencer a impotência expressiva, e alguma cousa dizer das infinitas e misteriosas ressonâncias de seu mundo interior - essa alguma cousa é sempre muito pouco em face do que ficou incompreendido. Uma obra literária, em face do indizível que ficou na alma do artista é, como diz Bergson, "franja residual" do oceano infinito e inquieto das emoções. O progresso da linguagem e da experiência humana é ininterrupto, suas conquistas são permanentes; mas o mistério da vida é infinito, e a arte há de sempre lutar com o indizível.
1)  "Quando dizemos que conteúdo e forma são concomitantes e indissolúveis em nosso espírito (...)"
São concomitantes e indissolúveis porque
a) a palavra e a forma é que dão vida ao pensamento.
b) a essência precede a palavra e juntos formam o pensamento.
c) o assunto e a palavra nascem ao mesmo tempo e não há como separar um do outro.
d) a forma, posterior ao pensamento, serve de veículo para que ele chegue até nós.
e) o pensamento, depois de formulado, liga-se à palavra e juntos formam a mensagem.
2)  "(...) sentimos profundamente certos estados anímicos (...)"
Estados anímicos são estados de 
a) vontade.
b) expressão.
c) pensamento.
d) comportamento.
e) alma.
3)  Dentre os trechos abaixo, o único que NÃO apresenta o mesmo tema do texto de Antônio Soares Amora é:
a) "Longe do estéril turbilhão da rua,
Beneditino, escreve! No aconchego
Do claustro, na paciência e no sossego,
Trabalha, e teima, e lima, e sofre, e sua!"
b) "O pensamento ferve, e é um turbilhão de lava:
A Forma, espessa e fria, é um sepulcro de neve...
E a Palavra pesada abafa a Idéia leve
Que, perfume e clarão, refulgia e voava."
c) "Quem o molde achará para a expressão de tudo?
Ai! quem há-de dizer as ânsias infinitas
Do sonho? e o céu que foge à mão que se levanta?
E a ira muda? e o asco mudo? e o desespero mudo?
E as palavras de fé que nunca foram ditas?
E as confissões de amor que morrem na garganta?!" 
d) " - Como são lindos os teus grandes versos!
Que colorido humano! que profundo
Sentido e que harmonia generosa
Encerra, nos seus símbolos diversos! ... " 
e) "Prende a idéia fugaz; doma a rima bravia;
Trabalha ... E a obra, por fim, resplandece acabada:
"Mundo, que as minhas mãos arrancaram do nada!"
"Filha do meu trabalho! ergue-te à luz do dia!"
"Posso agora morrer, porque vives!" E o poeta
Pensa que vai cair, exausto, ao pé de um mundo,
E cai - vaidade humana! - ao pé de um grão de areia..." 
4)  "(...) realidade visceralmente sentida (...)"
A palavra "visceralmente" quer dizer de modo
a) profundo.
b) moderado.
c) perfeito.
d) completo.
e) apaixonado.

Gabarito dos exercícios de interpretação de textos
1 C, 2 E, 3 D, 4 A

domingo, 20 de março de 2011

Interpretação de piada

Anedota
Havia um homem que todos os dias, quando ia trabalhar, tomava banho, perfumava-se e ia para a frente do espelho. Pegava no telefone e começava a rir!
A sua esposa ficou intrigada e interrogou-lhe o motivo de tão estranho comportamento.
O homem, muito naturalmente, explicou:
- Depois de chegar do trabalho, tomo banho, perfumo-me, vou para a frente do espelho e pergunto ao telefone quem é o homem mais bonito do mundo, quem é? E o telefone responde:
Tu…tu…tu…tu…
Interpretação
  1. Quantas personagens entram nesta anedota?
__________________________________________________________
  1. Quais são?
__________________________________________________________
  1. O que fazia de especial a personagem principal da anedota?
______________________________________________________________________________________________________________________
  1. Como ficou a esposa do homem depois de o ver fazer sempre a mesma coisa?
___________________________________________________________
  1. Porque é que o homem depois de tomar banho e de se perfumar ia para o telefone?
___________________________________________________________
  1. O telefone achava que ele era o homem mais belo do mundo? Porquê?
______________________________________________________________________________________________________________________
  1. Porque é que o homem se ria ao telefone?
______________________________________________________________________________________________________________________

quinta-feira, 17 de março de 2011

Reorganizando o texto

Reorganizando o Texto -CHAPEUZINHO VERMELHO

CHAPEUZINHO VERMELHO

A HISTÓRIA DE CHAPEUZINHO VERMELHO ESTÁ FORA DE ORDEM. RECORTE AS FICHAS E COLE-AS NO SEU CADERNO NA ORDEM CERTA.



A VOVÓ DE CHAPEUZINHO VERMELHO MORAVA SOZINHA NO MEIO DA FLORESTA.


A MÃE DE CHAPEUZINHO PEDIU-LHE PARA TER MUITO CUIDADO PELO CAMINHO.


O CAÇADOR MATOU O LOBO MAU E SALVOU CHAPEUZINHO VERMELHO E SUA VOVOZINHA.


CHAPEUZINHO VERMELHO RESOLVEU LEVAR BOLOS E DOCES PARA A SUA VOVOZINHA.


O LOBO MAU VIU CHAPEUZINHO MA FLORESTA E FOI DIREO PARA A CASA DA VOVÓ.


O LOBO MAU QUERIA COMER A VOVÓ E CHAPEUZINHO VERMELHO

Chapeuzinho vermelho de raiva

   

 Chapeuzinho Vermelho de raiva 

              Mário Prata

  ___ Senta aqui mais perto, Chapeuzinho. Fica aqui mais pertinho da vovó, fica.
  ___ Mas, vovó, que olho vermelho... E grandão... Que que houve?
  ___ Ah, minha netinha, estes olhos estão assim de tanto olhar para você. Aliás, está queimada, hein!
  ___ Guarujá, vovó. Passei o fim de semana lá. A senhora não me leve a mal, não, mas a senhora está com um nariz tão grande! Tá tão esquisito, vovó.
  ___ Ora, Chapéu. É a poluição. Desde que começou a industrialização do bosque que é um Deus nos acuda. Fica o dia todo respirando este ar horrível. Chegue mais perto, minha netinha, chegue.
  ___ Mas em compensação, antes eu levava mais de duas horas para vir de casa até aqui e agora, com a estrada asfaltada, em menos de quinze minutos chego aqui com minha moto.
  ___ Pois é, minha filha. E o que tem aí nesta cesta enorme?
  ___ Puxa, ia me esquecendo: a mamãe mandou umas coisas para a senhora. Olha aí: margarina, maionese Hellmmans, Danone de frutas e até uns pacotinhos de sopa Knorr, mas é para a senhora comer um só por dia, viu? Lembra da indigestão do carnaval?
  ___ Se lembro, se lembro...
  ___ Vovó, sem quere ser chata...
  ___Ora, diga.
  ___ As orelhas. A orelha da senhora está tão grande. E, ainda por cima, peluda. Credo, vovó!
  ___ Ah, mas a culpada é você. São estes discos malucos que você me deu. Onde já se viu fazer música deste tipo? Um horror! Você me desculpe, porque foi você que me deu, mas estas guitarras, é guitarra que se diz, não é? Pois é, estas guitarras são muito barulhentas... Não há ouvido que aguente, minha filha. Música é do meu tempo. Aquilo sim, eu e seu finado avô, dançando valsas... Ah, esta juventude está perdida mesmo.
  ___ Por falar em juventude, o cabelo da senhora está um “barato”, hein? Todo desfiado, pra cima, encaracolado. Que qué isso?
  ___ Também tenho que entrar na moda, não é, minha filha? Ou você queria que eu fosse domingo no Chacrinha de coque com vestido preto com bolinhas brancas?
  Chapeuzinho pula para trás:
  ___ E esta boca imensa???!!!
  A avó pula da cama e coloca as mãos na cintura, brava:         
  ___ Escuta aqui, queridinha: você veio aqui hoje para me criticar, é?!

Fonte: CEREJA, William Roberto, MAGALHÃES Thereza Cochar. Português: linguagens, 1a série. São Paulo: Atual, 2002, p.153-154.  

Vocabulário 

Professor, incentive seus alunos a pesquisarem palavras que eles desconhecem. Se preferir poderá utilizar os registros abaixo:
Chacrinha: animador de televisão que fez muito sucesso nas décadas de 1960 a 1980.
Finado: falecido, morto.
Guarujá: famosa cidade do litoral do Estado de São Paulo.

Para finalizar essa atividade, peça que os alunos façam a leitura silenciosa do texto.
Em seguida pergunte o que acharam do diálogo estabelecido entre Chapeuzinho Vermelho e a vovó. Compare as versões que os alunos já conhecem. Depois, solicite que todos façam uma leitura em voz alta.Logo após, oriente que colem o texto no caderno de Língua Portuguesa e o ilustrem.



     TRABALHANDO COM O TEXTO CHAPEUZINHO VERMELHO DE RAIVA 


1- Releia o texto Chapeuzinho Vermelho de raiva e responda as atividades propostas.   
a- O texto apresenta um diálogo entre avó e a neta. Ele aconteceu no tempo do era uma vez ou nos dias de hoje? Justifique sua resposta.   
b- Quantos parágrafos o texto possui? O que você fez para descobrir a resposta?  Copie o sexto parágrafo.

2 - No diálogo, Chapeuzinho Vermelho fez comentários semelhantes ao do conto original Chapeuzinho Vermelho: o tamanho do nariz, dos olhos, das orelhas e da boca da vovó. Chapeuzinho Vermelho também fala dos tempos modernos. Diante esses fatos faça o que se pede:   

a- Pinte no texto, de amarelo, o parágrafo que explica, de acordo com  a vovó, seu nariz estar grande.  

b- Pinte no texto, de azul-claro, o parágrafo que Chapeuzinho fala do tamanho das orelhas da avó.    

c- Pinte no texto, de verde, o parágrafo que explica a vantagem que a industrialização do bosque trouxe para Chapeuzinho.   

d- Essa vovó é muito moderna. Quais parágrafos do texto mostram isso? Escreva ao lado de cada frase o parágrafo corresponde a ela.

 “O cabelo da senhora está um barato, hein? Todo desfiado, pra cima, encaracolado”. ______ parágrafo.
“Também tenho que entrar na moda, não é, minha filha”? _____ parágrafo.

3- Dê sua opinião: O que você achou do texto escrito por Mário Prata? Justifique sua resposta.

Analisar, interpretar ou compreender?

Veja as diferenças entre analisar, compreender e interpretar 
- identificar o gênero; a tipologia; as figuras de linguagem;- verificar o significado das palavras;- contextualizar a obra no espaço e tempo;- esclarecer fatos históricos pertinentes ao texto;- conhecer dados biográficos do autor;- relacionar o título ao texto; - levantar o problema abordado;- apreender a idéia central e as secundárias do texto;- buscar a intenção do texto;- verificar a coesão e coerência textual;- reconhecer se há intertextualidade.
2. Qual o objetivo da análise?
- levantar elementos para a compreensão e, posteriormente, fazer julgamento crítico.
3. Para compreender bem é necessário que o leitor:
- conheça os recursos lingüísticos.Por exemplo, a regência verbal não compreendida pelo leitor pode levá-lo ao erro. Veja: Assisti o doente é diferente de assisti ao doente. No primeiro caso, a pessoa ajuda ao doente; no segundo, ela vê o doente. 
- perceba as referências geográficas, mitológicas, lendárias, econômicas, religiosas, políticas e históricas para que faça as possíveis associações.
- esclareça as suas dúvidas de léxico.
- esteja familiarizado com as circunstâncias históricas em que o texto foi escrito. Por exemplo, para entender que, no poema Canção do Exílio, de Gonçalves Dias, o advérbio aqui e  é, respectivamente, Portugal e Brasil, você tem que saber onde o poeta escreveu seu poema naquela época.
- observe se há no texto intertextualidade por meio da paráfrase, paródia ou citação.
4. Afinal o que é interpretar?
- Interpretar é concluir, deduzir a partir dos dados coletados.
5. Existe interpretação crítica?
- Sim, a interpretação crítica consiste em concluir os dados e, em seguida, julgar, opinar a respeito das conclusões.